Eu sofro de um tipo de doença que não basta você tomar uma medicação, por certo período de tempo, que ela se cura ou melhora. Os remédios só fazem você tolerar viver. Às vezes esses não cumprem sua função, então você tem que tomar outros, que te fazem dormir pra não pensar. Essa doença só quem tem sabe como é. Alguns acham que é uma frescura, que é passageiro. Mas quem sofre sabe que nunca vai se curar 100%, vai sempre ter um resquício de escuridão, um fardo a ser carregado. É o tipo que assassina silenciosamente tudo o que você quer ser, seus objetivos, suas aspirações, o que você é, seu cérebro, seus pensamentos, sua essência e sua alma.
Eu não fiz. Eu tava lá, a água quente nas minhas costas, as músicas tristes em alto e bom som, a lâmina na mão, pronta pra me deixar com aquela velha conhecida sensação. E eu simplesmente não fiz, desliguei tudo, larguei a lâmina e saí. Sei lá, acho que, pela primeira vez, me vi dando um passo pra frente.
Eu já passei por muitas crises, fases como minha mãe diria. Porém nunca me vi desse jeito em que me encontro. Nunca me vi com tanta pouca vontade de continuar e não vejo objetivo para tanto.
Só queria ter alguém que me tomasse nos braços e dissesse que me ama. Alguém que cuide de mim como eu sempre cuidei dos outros.
Se eu errei em algo foi em deixar me apegar, deixar alguém entrar assim na minha vida. Prometo que tentarei nunca mais fazer isso de novo.
Vem tirar esse sorriso bobo do meu rosto. Meu coração diz que tá tudo bem, mas minha mente diz que não vai dar certo.
E chega papai. Com jornal, agenda, chaves e cachorra na mão. Sempre. Com um beijo na minha testa, um eu te amo nos lábios e, nos olhos, vê sua princesinha.
“Vamos colocar dessa forma: não é que eu não acredite em amor, eu só não quero ele. Eu já o vi e até já o senti, mas acho que já tive minha cota de amor pra uma vida toda. Eu não fui feita pra amar, nem pra ser amada. Sabe, eu só quero poder acordar com quem eu quiser todas as manhãs e quando eu não quiser mais não quero ficar ligada a alguém por nenhum laço. Não quero pertencer a ninguém, a nenhum lugar e a nada.”
Quantas vezes não engoli o choro pra sanar suas preocupações? Quantas vezes não empurrei todos os problemas pra debaixo do tapete pra segurar o seu mundo? Quantas vezes te abracei precisando do seu abraço? E quantas vezes eu não me senti amada? Eu sei que ninguém me pediu pra eu cuidar de você, mas eu cuido e amo fazer isso. Mas sinto muito se às vezes eu não consigo segurar o seu mundo porque eu meu ta desabando.